O tratamento básico da DA consiste nas medidas gerais associadas ao tratamento farmacológico tópico para permitir a restauração da barreira cutânea, reduzir a extensão e a gravidade das lesões, aliviar o prurido e melhorar a qualidade do sono, prevenir as complicações infecciosas e manter a qualidade de vida.
As orientações gerais sobre banho, na temperatura adequada, podem promover a hidratação da pele e remover escamas, crostas, irritantes e alérgenos. Devem ser curtos e com água morna, com sabonetes com pH fisiológico (levemente ácido). É necessário evitar fatores agravantes, como banhos quentes e prolongados, uso excessivo de sabonetes, ar-condicionado, baixa umidade do ar, fricção excessiva de roupas e toalhas e produtos químicos.
A aplicação de cremes e loções hidratantes de maneira contínua, corrige a desproporção de elementos protetores da pele como as ceramidas, ácidos graxos e ésteres do colesterol, possibilitando a diminuição das crises, o ressecamento e o prurido. A perda de água da epiderme ocasiona pequenas fissuras que podem resultar em inflamação.
Durante a exacerbação do processo inflamatório da pele e a piora do prurido é os medicamentos utilizados são os corticosteroides e os inibidores da calcineurina, ambos de uso tópico. Os corticosteroides estão indicados assim que a lesão inicia, devendo ser usado até que ocorra melhora significativa do eczema. Nas crianças, é recomendado corticosteroides de média e baixa potência. Também deve-se evitar corticosteroides potentes em áreas de pele fina, como na face e nas pregas. Os corticoides tópicos disponíveis no SUS são a dexametasona, o acetato de hidrocortisona e o furoato de mometasona. A dexametasona e o acetato de hidrocortisona são corticoides de baixa potência, enquanto o furoato de mometasona é classificado como de média potência na formulação em creme e alta potência quando formulado em pomada. Este último pode ser utilizado em crianças a partir de 2 anos de idade e em adultos.
Pacientes com contraindicações ou efeitos colaterais no uso de corticosteroides tópicos se prescreve os inibidores da calcineurina que são imunomoduladores tópicos, outra classe de medicamentos utilizados para o controle da inflamação na DA. Os inibidores da calcineurina minimizam a ação do linfócito, portanto este processo deve ser feito de maneira controlada para garantir a melhora das crises, sem comprometer a função imunológica do organismo. Estão disponíveis para uso tópico dois medicamentos desta classe, o pimecrolimo e o tacrolimo. No Brasil, o pimecrolimo pode ser indicado a partir dos três meses de idade e com única apresentação em creme na concentração de 1%. O pimecrolimo ainda não está disponível no SUS. O tacrolimo é indicado a partir dos dois anos de idade, com apresentações em pomada contendo 0,03% (uso pediátrico e face em adultos), e 0,1% (uso em maiores de 16 anos para o corpo). Ambos devem ser aplicados duas vezes ao dia, e está indicada proteção solar.
A imunossupressão sistêmica é recurso adotado em adultos e crianças com formas moderadas e graves de DA, refratárias à terapêutica habitual. A primeira linha de tratamento engloba os medicamentos tópicos e ciclosporina ou metotrexato. A utilização de ciclosporina para pacientes com dermatite atópica moderada a grave deve ser feita com prescrição da menor dose capaz de controlar a doença. O tempo de uso varia em média de 8 a 12 meses de tratamento contínuo, não devendo ultrapassar 2 anos. É indicado o monitoramento de pressão arterial e função renal. A proteção solar é necessária durante o tratamento. O metotrexato é um imunossupressor que age inibindo a proliferação celular e a resposta inflamatória, o que pode ajudar a controlar os sintomas da DA. Deve ser feita suplementação semanal de ácido fólico (5 mg) durante o tratamento. Os efeitos colaterais mais comuns incluem distúrbios gastrointestinais, leucopenia e elevação das enzimas hepáticas, que são revertidos com a interrupção do tratamento.
Duas novas classes de medicamentos sistêmicos foram incluídas ao tratamento de DA: imunobiológicos (dupilumabe) e inibidores da Janus-quinase (upadacitinibe). Esses medicamentos são indicados para pacientes graves e com falhas, intolerância ou contraindicação às terapias de primeira linha. A terapia com dupilumabe foi incorporada ao SUS para o tratamento de crianças de 6 meses a menores de 12 anos de idade. A terapia com upadacitinibe foi incorporada ao SUS para o tratamento de adolescentes de 12 anos a menores de 18 anos de idade, com peso corporal de pelo menos 40 kg, com diagnóstico de DA grave. Na transição entre terapias sistêmicas, o protocolo recomenda sobreposição de 1 a 2 meses, com redução gradual do tratamento anterior até que o novo medicamento alcance efeito clínico. O Quadro abaixo apresenta as opções terapêuticas de acordo com características da doença e da população.
Quadro 1 – Opções de tratamento medicamentoso (tópicos e sistêmicos) de acordo com a característica da dermatite atópica e população elegível.
| Medicamento | Característica da DA | População |
| Dexametasona, Hidrocortisona | Sem restrição | Sem restrição |
| Acetato de Hidrocortisona | Sem restrição | Sem restrição |
| Furoato de mometasona | Sem restrição | Maiores de 2 anos |
| Tacrolimo | Sem restrição | Maiores de 2 anos |
| Ciclosporina | Moderada a grave | Sem restrição |
| Metotrexato | Moderada a grave | Sem restrição |
| Dupilumabe | Grave com falha, intolerância ou contraindicação à ciclosporina ou metotrexato. | Crianças de 6 meses a < 12 anos |
| Upadaccitinabe | Grave com falha, intolerância ou contraindicação à ciclosporina ou metrotexato | Adolescentes de 12 a <18 anos |
Fonte: Quadro 8 da Portaria Conjunta número 28, de 27 de novembro de 2025. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Dermatite Atópica, Ministério da Saúde.
A educação em saúde do paciente com DA é um componente essencial da atenção primária à saúde. A orientação estruturada aos pais, cuidadores e pacientes sobre hidratação da pele, reconhecimento e evitação de desencadeantes, início precoce do tratamento das lesões e uso adequado das medicações pode melhorar a adesão, reduzir crises e beneficiar a qualidade de vida. Além disso, grupos de apoio e acompanhamento multiprofissional podem favorecer o compartilhamento de experiências e o melhor manejo da doença no cotidiano.
Bibliografia selecionada:
- Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas: dermatite atópica [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2025 [citado 2026 mar 24]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/d/dermatite-atopica/@@download/file [Acesso: 24/03/2026]
- Prado E, Pastorino AC, Harari DK, Mello MC, Chong-Neto H, Carvalho VO, et al. Dermatite atópica grave: guia prático de tratamento da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia e Sociedade Brasileira de Pediatria. Arq Asma Alerg Imunol. 2022;6(4):432-67. doi:10.5935/2526-5393.20220053. Disponível em: http://dx.doi.org/10.5935/2526-5393.20220053 [Acesso: 24/03/2026]
- Carvalho VO, Solé D, Antunes AA, Bau AEK, Kuschnir FC, Mallozi MC, et al. Guia prático de atualização em dermatite atópica – Parte II: abordagem terapêutica. Posicionamento conjunto da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia e da Sociedade Brasileira de Pediatria. Arq Asma Alerg Imunol. 2017;1(2):157-82. doi:10.5935/2526-5393.20170020. Disponível em: http://dx.doi.org/10.5935/2526-5393.20170020 [Acesso: 24/03/2026]