O Núcleo Saúde Digital UFSC, sediado na Universidade Federal de Santa Catarina e vinculado à Secretaria de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, ultrapassou a marca de 500 mil teleconsultorias respondidas. Ofertadas pelo Núcleo catarinense em parceria com secretarias municipais e estadual de saúde desde 2013, as teleconsultorias dão apoio aos profissionais que atuam na Atenção Primária à Saúde (APS) para aumentar a resolutividade e evitar que encaminhamentos desnecessários ocorram, contribuindo diretamente para a diminuição das filas de espera por consultas com especialistas no Sistema Único de Saúde (SUS). No último ano, em mais de 50% das teleconsultorias que inicialmente indicavam a necessidade de encaminhamento, os especialistas médicos sugeriram manejo seguro na APS, sem que fosse necessária a consulta presencial com o especialista.
teleconsultorias
dos encaminhamentos
potencialmente
evitados
dos solicitantes
satisfeitos
Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), a APS pode ser capaz de resolver de 80% a 90% das necessidades de saúde da população. No entanto, a alta demanda por consultas médicas especializadas gera filas longas e uma grande espera para os pacientes. “É aí que mora o nó no sistema que as teleconsultorias ajudam a desfazer de maneira assertiva, proporcionando benefícios para profissionais, gestores e, principalmente, para os usuários do SUS”, aponta Maria Cristina Marino Calvo, coordenadora geral do Núcleo Saúde Digital UFSC (SDUFSC).
Uma teleconsultoria apoia
profissionais da APS quanto ao cuidado oferecido ao paciente, como, por exemplo, uma dúvida sobre o encaminhamento do caso para atendimento especializado. Nessas situações, um especialista da rede vinculada ao SDUFSC recebe a pergunta, avalia criteriosamente o caso dentro de um breve prazo pactuado e sugere a melhor conduta de acordo com protocolos definidos e evidências científicas atuais. A partir disso, o profissional da APS, que é o responsável pelo cuidado do paciente, recebe a devolutiva e decide, com maior apoio e segurança, o que fazer. “Esse processo permite que a APS assuma o protagonismo do cuidado dentro da Rede de Atenção à Saúde, assumindo o seu papel de ordenadora do cuidado e em contato com os especialistas, o que proporciona a troca de conhecimentos, o incentivo à educação permanente e o compartilhamento do cuidado”, acrescenta Maria Cristina.
Os casos em que a teleconsultoria confirma a necessidade de encaminhamento para atendimento especializado são classificados e, a partir disso, podem ser priorizados na regulação da fila. “O que notamos a partir das pesquisas e do trabalho que fazemos é que existem pacientes esperando em filas para atendimento que não precisam estar ali, seja por ser um caso menos complexo e possível de ser manejado com segurança na APS ou até por ser um caso de encaminhamento para outra especialidade”, explica Maria Cristina, que complementa: “por isso desenvolvemos estratégias conjuntas e compatíveis com as realidades locais para qualificar esses encaminhamentos”. Com isso, cerca de metade (50,3%) dos encaminhamentos puderam ser potencialmente evitados, conforme apontam os dados do serviço do último ano.
Além dos encaminhamentos mais qualificados, que permitem redução das filas e, consequentemente, agilidade nos atendimentos, o Núcleo também demonstrou impacto econômico e ambiental. Entre 2019 e 2024, as especialidades de endocrinologia, hematologia e nefrologia somaram 74.260 solicitações de teleconsultoria, sendo que 46,7% dos casos receberam orientação para manejo seguro na APS. Foi possível evitar mais de 34 mil deslocamentos de pacientes, resultando numa economia estimada de aproximadamente R$ 4,7 milhões, levando em consideração tarefas administrativas, encargos de pagamentos aos especialistas e motoristas, e gastos com gasolina. Ao evitar 1.459.365 km de deslocamentos desnecessários, 167,8 toneladas de CO2 deixaram de ser emitidas.
solicitações de teleconsultorias
deslocamentos evitados
economizados
toneladas de CO2 deixaram de ser emitidas
Outro diferencial das teleconsultorias ofertadas pelo Saúde Digital UFSC é a transferência do conhecimento produzido na universidade para a gestão dos municípios e do estado. O modelo do Núcleo catarinense é baseado em redes de especialidades, que podem ser implantadas localmente, diretamente no município, ou pelo estado.
“É uma experiência muito bem sucedida e uma inspiração que o Núcleo da UFSC nos traz com o seu trabalho de atuação junto aos territórios, fortalecendo a Rede de Atenção à Saúde, fazendo com que a própria rede incorpore o uso da estratégia e não crie uma dependência só da oferta que é feita pelo Núcleo”, enfatiza Ana Estela Haddad, secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde.
Atualmente, o Núcleo atua no apoio a 132 redes, distribuídas da seguinte forma:
5
redes próprias
1
rede da UFSC de Patologia Bucal
40
redes da SES-SC
9
redes de Balneário Camboriú
7
redes de Brusque
8
redes de Criciúma
26
redes de Florianópolis
16
redes de Itajaí
3
redes de Itapema
7
redes de Joinville
1
rede de Navegantes
3
redes de Palhoça
6
redes de São José
Além de Santa Catarina, núcleos de telessaúde de outros estados brasileiros têm usado o modelo da UFSC, como são os casos do Pará, Roraima, Paraná e Amazonas.
Todo o apoio à implantação, capacitação dos profissionais, acompanhamento dos resultados e da qualidade e o monitoramento é feito pelo Saúde Digital UFSC sem custos para os municípios e estados. Além disso, o Sistema Integrado Catarinense de Telemedicina e Telessaúde (STT) é disponibilizado como plataforma pública, permitindo a realização das ações de saúde digital de forma prática e segura, seguindo a Lei Geral de Proteção de Dados e protocolos internacionais de segurança. Gestores interessados em conhecer a metodologia e implantar a solução podem entrar em contato com o SDUFSC pelo e-mail saudedigital@contato.ufsc.br. Saiba mais sobre o Saúde Digital UFSC acessando saudedigital.ufsc.br.