A redução do risco de adoecimento por demência é possível e a falta de tratamento curativo impõe esforço concentrado nos fatores de risco potencialmente modificáveis para esta doença que são: menor escolaridade, hipertensão arterial sistêmica, tabagismo, obesidade, depressão, inatividade física, diabetes, baixo contato social, deficiência auditiva, consumo excessivo de álcool, lesão cerebral traumática e poluição do ar.
Em todo o mundo, cerca de 50 milhões de pessoas vivem com demência com previsão de aumento para 152 milhões até 2050. Demência pode ser conceituada como uma síndrome com comprometimento cognitivo progressivo adquirido grave o suficiente para afetar as atividades diárias, incluindo perda de memória, declínio cognitivo e comprometimento da funcionalidade. O diagnóstico de demência é clínico, não sendo obrigatórios exames de neuroimagem para a confirmação diagnóstica, mas recomendáveis no processo de investigação da etiologia e para seguimento. Apesar do aumento global da prevalência da demência, a incidência da demência específica por idade está diminuindo, indicando que a prevenção da demência não só é possível, como já está em curso. A prevenção primária possibilita a redução da incidência da Demência por meio da eliminação ou tratamento de fatores de risco. A intervenção comportamental com mais evidências de eficácia para a manutenção do funcionamento cognitivo é a atividade física, que atua ainda para mitigar outros fatores de risco associados ao declínio cognitivo, como doenças cardiovasculares. Outras ações importantes de prevenção primária são o engajamento social, a diminuição da ansiedade e estresse, principalmente com mudanças de comportamento que permitam uma melhora do sono, alimentação com mais fibras e menos alimentos ultra processados, tratamento adequado de diabetes e doenças cardiovasculares e mais atividades que usem e estimulem o processo cognitivo.
É necessário aumentar a consciência dos profissionais de saúde sobre o seu papel na detecção precoce da demência e na formação sobre a aplicação adequada de ferramentas de avaliação cognitiva.
Na Atenção Primária da Saúde (APS) a prevenção da demência pode ser feita através da identificação dos fatores de risco modificáveis que são frequentemente ignorados como potenciais alvos terapêuticos para a redução do risco, entretanto a redução destes permite um conjunto de impactos positivos não só na demência, mas também na prevenção de outras condições crónicas, como doenças cardiovasculares, que partilham fatores de risco semelhantes. Há também evidências de que agrupamento de fatores de risco modificáveis podem incrementar o risco de adoecimento por demência, como em grupo de tabagismo + consumo excessivo de álcool + inatividade física, podendo serem identificados e tratados na APS.
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