Segunda Opinião Formativa (SOF)

Fonte de consulta com informação qualificada baseada em evidências científicas para profissionais da APS

11/12/2025

O Índice de Massa Corporal – IMC pode ser um indicador de saúde e acompanhamento da obesidade?

Categoria da Evidência: Apoio ao Diagnóstico

Solicitante: Médico

CIAP2: T82 – Obesidade, T83 – Excesso de peso

DeCS/MeSH: Índice de Massa Corporal (IMC), Obesidade

O IMC é utilizado como ferramenta inicial de diagnóstico e controle da obesidade por sua simplicidade, baixo custo e eficácia na avaliação de risco. Tudo o que você precisa é saber a altura e o peso da pessoa. O excesso de peso e a obesidade podem ser prejudiciais à saúde isoladamente ou associado ao risco de doenças crônicas.  O IMC também é amplamente utilizado como o parâmetro de limiar de elegibilidade ao tratamento com certos medicamentos e à cirurgia bariátrica.  O IMC é um bom indicador, embora não seja totalmente correlacionado com a gordura corporal. A combinação de massa corporal e distribuição de gordura é, provavelmente, a melhor opção para a realização da avaliação clínica.

A medida de massa corporal mais tradicional é o peso isolado ou peso ajustado para a altura. A fórmula do IMC é o peso de uma pessoa em quilogramas dividido pelo quadrado de sua altura em metros. O IMC é o cálculo mais usado para avaliação da adiposidade corporal. Pode haver diferenças na composição corporal em função do sexo, idade, etnia, indivíduos sedentários quando comparados a atletas, na presença de perda de estatura em idosos devido a cifose e em edemaciados. O IMC considerado normal está entre 18,5 e 24,9 kg/m2; de 25 a 29,9 kg/m2 é considerado sobrepeso; e ≥ 30 kg/m2 é considerado obesidade. Determinados grupos étnicos têm cortes mais baixos para o sobrepeso ou a obesidade, dadas as evidências de que essas pessoas podem ter maior risco de comorbidades relacionadas com a obesidade com IMCs mais baixos. Para países da Ásia os pontos de corte adotados são: menos do que 18,5 kg/m2 para baixo peso, 18,5-22,9 para peso normal com risco aceitável, embora crescente; 23-27,5 para maior risco (o correspondente a sobrepeso); e >27,5 para alto risco.

O IMC não distingue massa gordurosa de massa magra, podendo ser menos preciso em indivíduos mais idosos, em decorrência da perda de massa magra e superestimado em indivíduos musculosos.

Estudos mais recentes mostraram que a distribuição de gordura corporal é mais preditiva de saúde. A medida da distribuição de gordura é importante na avaliação de sobrepeso e obesidade porque a gordura visceral (intra-abdominal) é um fator de risco potencial para a doença, independentemente da gordura corporal total. Indivíduos com o mesmo IMC podem ter diferentes níveis de massa gordurosa visceral. A distribuição de gordura abdominal é claramente influenciada pelo sexo: para algum acúmulo de gordura corporal, o homem tem, em média, o dobro da quantidade de gordura abdominal em relação à mulher antes da menopausa.

A associação de indicadores de gordura corporal que não utilizam o peso para o seu cálculo, como Circunferência Abdominal isoladamente ou Razão da Cintura e a Estatura – RCE, podem oferecer uma forma combinada de avaliação de risco e ajudar a diminuir as limitações de cada uma das avaliações isoladas. A RCE está normal quando o valor está abaixo de 0,5. O uso da RCE conjuntamente com o IMC possibilita dar uma estimativa prática da gordura central nos adultos com IMC abaixo de 35 kg/m2.

Na Atenção Primária à Saúde (APS), o IMC (Índice de Massa Corporal) tem sido utilizado amplamente, tanto para avaliação clínica individual como para acompanhamento  de grupos específicos como de pacientes com obesidade, diabéticos e doenças cardiovasculares. É utilizado por todos os profissionais de saúde de maneira rotineira. A RCE (Razão Cintura Estatura) é uma ferramenta útil, especialmente na APS, pois complementa o IMC ao identificar o risco de saúde independente do peso corporal geral e possui uma fácil aplicação e custo baixo.

Bibliografia Selecionada:

  1. Controle de sobrepeso e obesidade. Diretriz NICE – National Institute for Health and Care Exellence NG 246. Publicado em Janeiro de 2025. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng246/chapter/Identifying-and-assessing-overweight-obesity-and-central-adiposity. [Acesso em: 10/12/2025]
  2. Zoler ML. O IMC é uma medida imperfeita da obesidade. Quais são as alternativas? – Medscape – 3 de mai de 2023. Disponível em: https://portugues.medscape.com/verartigo/6509527. [Acesso em: 10/12/2025]
  3. Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica. ABESO. Diretrizes Brasileiras de Obesidade. Quarta Edição. 2016. Disponível em: https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2019/12/Diretrizes-Download-Diretrizes-Brasileiras-de-Obesidade-2016.pdf. [Acesso em: 10/12/2025]
  4. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde. Sobrepeso e Obesidade em Adultos. Novembro de 2020. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/s/sobrepeso-e-obesidade-em-adultos/view. [Acesso em: 10/12/2025]