Segunda Opinião Formativa (SOF)

Fonte de consulta com informação qualificada baseada em evidências científicas para profissionais da APS

12/12/2025

Como diagnosticar o lipedema?

Categoria da Evidência: Apoio ao diagnóstico

Solicitante: Médico

CIAP2: D24: Dor nos membros inferiores; D15: Edema

DeCS/MeSH: Lipedema

O lipedema é caracterizado por ser sempre doloroso e acompanhado por um aumento simétrico e bilateral do tecido adiposo subcutâneo nas pernas, região glútea e braços, poupando as mãos e os pés. Aumento de sensibilidade, dor por pressão, dor espontânea e sensação de peso, frequentemente localizados nas áreas com excesso de tecido adiposo, são sintomas relacionados com uma tendência a formar hematomas facilmente, o que pode indicar distúrbios do tecido conjuntivo ou fragilidade vascular, pois disfunção microvascular acompanha o desenvolvimento da condição.

A dor interfere significativamente na vida cotidiana e na qualidade do sono. O aumento do tecido adiposo pode dificultar a realização de atividades da vida diária como a mobilidade e a escolha de roupas adequadas.  

O principal diagnóstico diferencial é com a lipo-hipertrofia q é indolor e apresenta uma distribuição simétrica desproporcional de tecido adiposo nas extremidades.

O lipedema está associado a incapacidade física significativa, dor crônica, tromboembolismo e sofrimento psicossocial. Permanece insuficientemente estudado, com uma prevalência estimada de aproximadamente 10% entre mulheres em todo o mundo.  Estudos recentes sobre a etiologia sugerem uma origem multifatorial envolvendo predisposição genética, influências hormonais e disfunção vascular.  Inflamação, alterações hormonais e aumento do fluido extracelular no tecido adiposo são fatores contribuintes para a patogênese do lipedema. O tratamento abrange nutrição, fisioterapia, exercícios, cuidados clínicos e cirurgia quando necessário. O tratamento não invasivo ou conservador deve ser o passo inicial e é uma parte essencial do tratamento da doença. O exercício físico é um componente importante no seu tratamento, pois ajuda a melhorar a mobilidade, reduzir o risco de complicações (como o linfedema) e manter a saúde cardiovascular. O seu tratamento também pode envolver meias, bandagens e sistemas adaptativos, todos eles com o objetivo de aplicar pressão na área afetada. A lipoaspiração deve ser usada como método cirúrgico de escolha para a redução sustentável do tecido adiposo subcutâneo afetado nas pernas e braços. A lipoaspiração deve ser considerada quando houver dor refratária documentada sem melhora apesar da terapia conservadora, complicações como comprometimento da mobilidade, doenças dermatológicas ou ortopédicas secundárias, relação peso-altura maior que 0,55 ou IMC acima de 40.  Quando coexiste com obesidade e doenças metabólicas, o controle de peso por meio de cirurgia bariátrica pode ser considerado um passo inicial antes de tratamentos específicos, como a lipoaspiração.

A APS tem importante papel na coordenação dos cuidados para prevenir o agravamento do lipedema visando a melhora da circulação, redução do edema e da dor. Com o nutricionista para orientação de uma dieta balanceada e manutenção de um IMC na faixa de normalidade; com educador físico para prática regular de exercícios físicos de baixo impacto, como caminhada, natação e hidroginástica; e com a fisioterapia para drenagem linfática e orientação para o uso de meias de compressão e controle de tempo em que podem ficar sentados ou em pé. Com isso, a participação da equipe e-Multi é essencial.

Bibliografia selecionada:

  1. Amato ACM, Peclat APRM, Kikuchi R, et al. Declaração do Consenso Brasileiro sobre Lipedema usando a metodologia Delphi. J Vasc Bras. 2024;23:e20230183. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1677-5449.202301832
  2. Faerber G, Cornely M, Daubert C, et al. Diretriz S2k lipedema. JDDG. 2024, 22(ED. 9): 1303-1315. Disponível em: https://doi.org/10.1111/ddg.15513
  3. Kamamoto F , Baiocchi JMT, Batista BN, et al. Lipedema: explorando a fisiopatologia e estratégias de tratamento – estado da arte.  J Vasc Bras. 2024;23:e20240025. Disponivel em: https://doi.org/10.1590/1677-5449.202400252
  4. Cifarelli, V. Lipedema: Progresso, Desafios e o Caminho a Seguir. Obesity Reviews. 2025, 26(10):1-14. Disponível em: https://doi.org/10.1111/obr.13953