O esquema de primeira escolha para adultos e crianças com mais de 10 anos é a combinação de doxiciclina com um medicamento da classe dos aminoglicosídeos como sulfato de estreptomicina ou o sulfato de gentamicina. Já o tratamento de segunda escolha é combinação de doxiciclina e rifampicina, porém apresentando maiores taxas de insucesso terapêutico. Deve ser indicada quando houver restrição clínica ou impossibilidade operacional de uso de aminoglicosídeo. O tratamento visa reverter manifestações e prevenir cronicidade, com cura, falha ou recidiva.
O sucesso do tratamento precisa ser avaliado a curto, médio e longo prazo, pois pode haver recidivas da doença, com ocorrência em até 12 meses após o fim do tratamento, devido a capacidade das bactérias do gênero Brucella de formar nichos intracelulares.
A brucelose humana é uma zoonose transmitida ao ser humano por meio de contato direto ou indireto com animais infectados com bactérias do gênero Brucella spp. Afeta principalmente trabalhadores que lidam com animais e atuam na cadeia de produção de laticínios, carnes e seus derivados. Os trabalhadores envolvidos com o cuidado e vacinação de rebanhos, os laboratoristas que manipulam amostras humanas contaminadas e aqueles que manuseiam amostras de animais contaminados são os mais sujeitos à exposição acidental no ambiente de trabalho. Existe uma subnotificação como uma limitação significativa na avaliação da verdadeira dimensão do problema. Destaca-se a necessidade de um formulário de notificação específico para controle da doença
A doença tem apresentação clínica subaguda ou insidiosa, caracterizada por febre com padrão variável, mal-estar e sudorese noturna. Sintomas adicionais incluem perda de peso, artralgia, cefaleia, dor lombar, fadiga, anorexia, mialgia, tosse. A doença osteoarticular é a forma mais comum de brucelose focal; ocorre em até 70% dos pacientes e as manifestações incluem artrite periférica (geralmente joelhos, quadris e tornozelos) mas também sacroileíte e espondilite. Diagnóstico definitivo se dá por cultura ou aumento de títulos sorológicos em duas amostras. Métodos imunológicos e moleculares, como aglutinação em placa e em tubo (Rosa Bengala) ensaio imunoenzimático (ELISA) e reação em cadeia da DNA polimerase (PCR), são empregados visando auxiliar na confirmação da doença. O período de incubação da brucelose humana varia entre 5 e 60 dias, podendo durar por até dois anos.
Realização de acompanhamento clínico por, no mínimo, um ano após o término do tratamento e investigação diagnóstica em caso de reaparecimento de sinais e sintomas durante ou após o tratamento A avaliação consiste no monitoramento clínico e laboratorial com consultas regulares para avaliar a resposta ao tratamento e monitorar a evolução clínica do paciente e exames laboratoriais periódicos, como testes sorológicos e PCR, para verificar a resposta ao tratamento e a ausência de recidiva. Os critérios laboratoriais adicionais como provas inflamatórias inespecíficas, como velocidade de hemossedimentação e dosagem de proteína C reativa, podem ser úteis para avaliar a atividade da doença e a sorologia quantitativa na sexta semana de tratamento ou até duas semanas após o término do tratamento.
Deve-se acompanhar os possíveis efeitos colaterais dos medicamentos, como náuseas, vômitos e alterações hepáticas e fazer orientação ao paciente sobre como lidar com os efeitos adversos e quando buscar assistência médica.
Também é importante a verificação da adesão ao esquema terapêutico prescrito e implementação de estratégias para melhorar a adesão, como educação sobre a importância do tratamento completo.
O monitoramento da resistência antimicrobiana é realizado pela vigilância para identificar possíveis casos de resistência aos antimicrobianos utilizados.
| O Ministério da Saúde anunciou em 2024, após Relatório de Recomendação da Conitec, a inclusão do Sulfato de gentamicina 40mg/mL solução injetável 2mL como opção de tratamento para a brucelose humana no SUS. Tanto a associação com estreptomicina e gentamicina apresentam eficácia semelhante. Entretanto a escolha da gentamicina reduz o tempo de tratamento com a medicação injetável foi reduzido de 14 para 7 dias, proporcionando maior comodidade e aumentando a adesão dos pacientes ao tratamento. |
Importante destacar que o profissional que atua em áreas de risco ou suspeita que tenha ingerido algum tipo de alimento contaminado, informe ao médico no momento da consulta para facilitar o diagnóstico.
Bibliografia Selecionada
- Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e do Complexo Econômico Industrial da Saúde. Portaria Sectics/MS nº 22, de maio de 2025. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Brucelose Humana. Brasília: Ministério da Saúde. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/protocolos/pcdt-da-brucelose-humana. [Acessado: 26/02/2025]
- Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e do Complexo Econômico Industrial da Saúde – SECTICS. Relatório de Recomendação. Sulfato de gentamicina combinado à doxiciclina para o tratamento Brucelose Humana. 2024. Disponivel em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/consultas/relatorios/2024/relatorio-tecnico-sulfato-de-gentamicina-combinado-a-doxiciclina-para-o-tratamento-da-brucelose-humana/view. [Acessado:26/02/2026]
- Soares PKO, Reis LAL. Perfil epidemiológico dos casos de brucelose humana em Goiás entre 2018 e abril de 2023. Boletim Epidemiológico. Goiânia: Secretaria de Estado da Saúde de Goiás. 2023;24(3). Disponível em: https://fi-view.bvsalud.org/conass/biblio/?q=mh:%22Brucelose/epidemiologia%22 [Acessado: 26/02/2026]