O Relatório GOLD de 2025 sugere que o corticoide inalatório deve ser adicionado à terapia com broncodilatadores de ação prolongada, em pacientes com DPOC, com altas contagens de eosinófilos no sangue (≥300 células/µL), pois, indica risco maior de exacerbações da DPOC e mais chance de haver benefício clínico. Além disso, a contagem elevada de eosinófilos no sangue na DPOC está associada a desfechos clínicos piores.
Em pacientes com DPOC, os níveis elevados de eosinófilos no sangue estão associados a níveis mais altos de eosinófilos nos pulmões, o que é um biomarcador da atividade inflamatória do tipo 2 nas vias aéreas e indica risco maior de exacerbações da DPOC. Até 37% dos pacientes com DPOC apresentam indicação de inflamação do tipo 2. Níveis elevados de eosinófilos no sangue podem ser detectados solicitando um hemograma completo com diferencial.
Eosinófilos no sangue periférico podem ser preditores de resposta a uma terapia baseada em corticosteroides em pacientes com história de exacerbações da DPOC. Corticoides inalatórios devem ser indicados sempre associados aos antagonistas muscarínicos de longa ação – LAMA e agonistas beta 2 de longa ação – LABA, com o objetivo de prevenir exacerbações da doença, piora de a função pulmonar e consequentemente manter a qualidade de vida. As exacerbações têm efeitos prejudiciais importantes, com maior perda da função pulmonar e aumento da mortalidade. Devido a importância clínica da prevenção de exacerbações, é recomendada a terapia tripla, ICS-LAMA e LABA, se o tratamento com ICS for indicado. Corticoides inalatórios não devem ser usados em pacientes com contagem de eosinófilos abaixo de 100 células por microlitro, por aumento do risco de acometimento de pneumonia.
A contagem elevada de eosinófilos no sangue na DPOC está associada a desfechos clínicos piores. No estudo de Copenhagen, uma contagem de eosinofilia sanguínea com mais de 340 células/µL foi associada a um risco quase duas vezes maior de que exacerbações graves ocorram. A resposta benéfica dos corticoides inalatórios já pode ser observada em contagens de eosinófilos no sangue de ≥100 células/μL.
A avaliação dos eosinófilos, amplamente disponível através do hemograma simples na Atenção Primária em Saúde, fornece indicadores importantes no tratamento da pessoa com DPOC.
Bibliografia Selecionada
- Relatório GOLD 2025: Estratégia Global para Prevenção, Diagnóstico e Manejo da DPOC. Disponível em: https://goldcopd.org/2025-gold-report/. [Acesso:10/12/2025]
- Disponível em: Níveis de eosinófilos circulantes e declínio da função pulmonar em doença pulmonar obstrutiva crônica estável: um estudo longitudinal retrospectivo. J Bras Pneumol. 2022;48(6):e20220183. Disponível em: https://www.jornaldepneumologia.com.br/details/3772/pt-BR. [Acesso:10/12/2025]